quinta-feira, 18 de junho de 2009

Bilíngues têm maior tendência a esquecer palavras que estão "na ponta da língua"

Quase todo mundo já passou pela situação de querer dizer uma palavra que está "na ponta da língua", mas não conseguir se lembrar dela --a impressão é que elas "somem" e só reaparecem segundos ou minutos depois. Segundo um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Wellesley, em Massachusetts, nos Estados Unidos, as pessoas que falam duas línguas têm maior tendência a sofrer com o problema.
Uma possível explicação para isso é que palavras com sonoridade similar tendem a "competir" pela atenção do nosso cérebro. Já que os bilíngues conhecem um volume de palavras muito maior, há maiores chances de isso ocorrer com eles, na comparação com as pessoas que conhecem apenas uma língua.
"Geralmente quando você tem um problema com palavras 'na ponta da língua', palavras com sonoridade similar vêm à mente", afirma Jennie Pyers, psicóloga da universidade. "Há uma percepção de que você sabe a primeira letra, de que sabe quantas sílabas a palavra tem."
Para os pesquisadores, isso pode ocorrer quando o cérebro tenta "resgatar" uma palavra pouco usada. "É muito mais fácil lembrar de uma palavra como 'faca' do que 'guilhotina", diz Pyers.
A equipe da pesquisadora comparou 11 pessoas que falam espanhol e inglês com 22 pessoas que conseguem se comunicar em inglês e por meio de linguagem de sinais --já que a segunda "língua" dessas pessoas não faz uso de som, não há chance os sons delas competirem.
Os pesquisadores mostraram aos bilíngues, assim como a um grupo de controle de 22 pessoas que falam só inglês, fotos de dezenas de objetos diferentes e pediram que os voluntários dissessem os nomes em até 30 segundos. Apenas uma das pessoas não teve a experiência da "palavra na ponta da língua".
As pessoas que falam apenas uma língua experimentaram o fenômeno em sete dos 52 objetos. Para os bilíngues, esse número foi de 12. Foram contabilizados apenas os casos em que o voluntário conhecia aquela palavra.
Os números para pessoas que falavam inglês e espanhol e inglês e linguagem de sinais foram similares. O problema atingiu até mesmo a autora do estudo: durante a entrevista, ela não conseguia lembrar o nome de um colega. "Eu consigo imaginar o rosto desse cara na minha cabeça", disse.